Acessibilidade web – quem está a ficar de fora do seu website?

A acessibilidade web começa numa pergunta que muitas empresas nunca fizeram: todas as pessoas conseguem utilizar o seu website? Uma página pode ter uma apresentação cuidada, carregar depressa e funcionar bem para quem a criou, mas impedir outra pessoa de abrir um menu, compreender uma informação ou enviar um pedido. Esses obstáculos nem sempre são visíveis numa visita habitual, sobretudo quando se usa o mesmo dispositivo, o rato e as definições de sempre. Para quem encontra a barreira, porém, o resultado pode ser muito concreto: uma tarefa que fica por terminar.

Imagine alguém que pretende conhecer os seus serviços e pedir um orçamento. Encontra o website, chega à página certa e decide avançar, mas o formulário não identifica os campos de forma compreensível ou apresenta um erro que não explica como corrigir. O interesse existe e a informação pode até ser convincente; é a utilização do website que falha. Pensar nestas situações ajuda a perceber a acessibilidade como parte da qualidade do serviço que a empresa presta online, desde a primeira consulta até ao contacto ou à compra.

Homem com óculos a consultar um smartphone numa livraria.

A acessibilidade web faz parte da utilização real do website.

A acessibilidade web procura permitir que pessoas com deficiência consigam perceber os conteúdos, compreender a informação, navegar e interagir com um website. Isso inclui necessidades visuais, auditivas, motoras e cognitivas, que podem implicar formas diferentes de consultar uma página ou executar uma tarefa. Algumas pessoas utilizam leitores de ecrã, outras dependem do teclado, de comandos por voz ou de dispositivos de apoio. Um website acessível precisa de funcionar com essas formas de utilização, sem obrigar todos os visitantes a seguir o mesmo percurso técnico.

O benefício também se estende a situações temporárias ou circunstanciais, como uma lesão que dificulta o uso do rato, a consulta de um vídeo num local onde não se pode ouvir som ou a leitura de um ecrã sob luz intensa. Na sua introdução à acessibilidade web, o W3C explica esta diversidade de necessidades e a importância de conceber e desenvolver websites que não criem barreiras. O ponto de partida é observar o que as pessoas precisam de fazer e perceber se a apresentação, o conteúdo ou o funcionamento lhes permitem concluir essa tarefa com autonomia.

Encontrar o caminho não deve depender do rato.

Os menus e os botões parecem elementos simples quando respondem ao clique, mas essa é apenas uma das formas de os utilizar. Há visitantes que percorrem a página com o teclado e precisam de perceber, a cada momento, qual é o elemento seleccionado e como podem activá-lo. Um menu que só abre ao passar o rato, um botão que não recebe foco ou uma janela que prende a navegação podem bloquear o acesso a uma parte importante do website. Na acessibilidade web, conseguir chegar a uma função é tão importante como essa função existir.

Um primeiro exercício consiste em pousar o rato e tentar realizar uma tarefa usando as teclas Tab, Shift+Tab, Enter e, quando adequado, as teclas de direcção e Escape. A sequência deve ser compreensível, o foco precisa de estar visível e deve ser possível entrar e sair dos componentes sem ficar preso. O teste deve incluir o menu, a pesquisa, as janelas de consentimento, os formulários e o processo de compra, quando existe. Conseguir percorrer alguns links da página inicial não demonstra que o percurso completo esteja acessível, mas pode revelar obstáculos que uma utilização habitual nunca mostraria.

Mulher com um braço imobilizado a navegar num website utilizando o teclado com a mão livre.

Ler e compreender exige mais do que aumentar as letras.

O contraste entre texto e fundo, o tamanho dos caracteres e o espaçamento influenciam a leitura, mas as dificuldades não se resolvem apenas tornando tudo maior. Um texto sobre uma fotografia pode deixar de ser legível em certas zonas, uma indicação apresentada apenas por cor pode passar despercebida e um botão com uma área pequena pode ser difícil de seleccionar. A acessibilidade web exige olhar para essas decisões em conjunto, incluindo o comportamento da página quando a pessoa amplia o conteúdo. Se aumentar o texto esconder informação, sobrepor elementos ou impedir o acesso a um botão, a adaptação ficou incompleta.

A organização da informação também conta: títulos que descrevem o conteúdo, parágrafos com uma progressão clara e ligações com nomes informativos ajudam a compreender o que está disponível. Para quem utiliza um leitor de ecrã, a estrutura dos títulos permite localizar secções sem ouvir toda a página do início ao fim. Por isso, não basta fazer uma frase parecer um título através do tamanho ou da cor; é necessário que essa função esteja correctamente definida no conteúdo. A clareza da escrita e a estrutura técnica trabalham em conjunto para tornar a informação mais fácil de encontrar e utilizar.

Imagens, vídeos e formulários precisam de transmitir a informação.

Uma imagem pode apresentar um produto, explicar um procedimento ou funcionar como uma ligação, e cada uma dessas utilizações pede uma abordagem adequada. O texto alternativo deve transmitir a informação ou a função relevante no contexto, em vez de acumular palavras-chave ou descrever pormenores sem utilidade. As imagens meramente decorativas não precisam de acrescentar ruído à leitura por tecnologias de apoio. Na acessibilidade web, o objectivo é permitir compreender o conteúdo essencial mesmo quando a imagem não pode ser vista, mantendo uma relação coerente entre o elemento visual e aquilo que ele comunica.

Nos vídeos, as legendas ajudam a tornar o discurso e os sons relevantes acessíveis, mas devem ser revistas para evitar erros que alterem o sentido. Quando uma demonstração transmite informação importante apenas através da imagem, também é necessário pensar em como essa informação chega a quem não a consegue ver. Os formulários colocam um desafio semelhante: o nome de cada campo, as instruções e as mensagens de erro têm de ser compreensíveis e estar associados aos elementos certos. Um aviso que se limita a mudar a borda de um campo para vermelho pode não indicar qual é o problema nem ajudar a pessoa a terminar o pedido.

Acessibilidade web representada por uma página ampliada com lupa e conteúdos sonoros ligados a auscultadores.

A avaliação deve acompanhar uma tarefa até ao fim.

Uma ferramenta automática pode detectar determinados problemas e ajudar a organizar o trabalho, mas não consegue decidir sozinha se um website é acessível. Há aspectos que dependem do contexto, como saber se uma descrição transmite a informação necessária ou se a ordem de navegação faz sentido. Um resultado sem erros numa verificação automática não demonstra que todos os visitantes conseguem concluir as suas tarefas. A avaliação da acessibilidade web deve combinar verificações técnicas com utilização manual e, sempre que possível, testes com pessoas com deficiência.

Para começar, escolha percursos que tenham importância real para o seu negócio, em vez de analisar apenas páginas isoladas. Encontrar um serviço e pedir informações, seleccionar um produto e concluir uma encomenda ou consultar as condições de entrega são exemplos de tarefas que atravessam vários componentes. Durante essa avaliação, registe onde surge o obstáculo, quem pode ser afectado e o que deixa de ser possível fazer. Esta descrição ajuda a distinguir uma preferência de apresentação de uma barreira que precisa de intervenção e permite explicar o problema a quem vai corrigi-lo.

  • Percorrer o menu e chegar às páginas essenciais sem utilizar o rato.
  • Identificar o elemento que tem o foco e activar os controlos necessários.
  • Ampliar o conteúdo e verificar se a informação e as funções continuam disponíveis.
  • Compreender imagens informativas e conteúdos multimédia através das alternativas adequadas.
  • Preencher um formulário, provocar um erro e perceber como o corrigir.
  • Concluir o percurso de contacto ou compra, incluindo componentes de terceiros.

Esta primeira revisão não substitui uma avaliação completa, mas ajuda a dar prioridade às barreiras que impedem tarefas essenciais. Na acessibilidade web, a correcção precisa de ser confirmada no percurso onde o problema surgiu, incluindo os passos anteriores e seguintes. Alterar um botão pode resolver o acesso a uma janela e deixar por resolver a forma de a fechar ou de regressar ao conteúdo. O teste final deve confirmar que a pessoa consegue continuar a tarefa, em vez de verificar apenas se o elemento alterado passou a responder.

Melhorar a acessibilidade web exige continuidade.

Algumas barreiras podem ser corrigidas no conteúdo, enquanto outras exigem alterações no design, nos componentes ou no desenvolvimento do website. A prioridade deve ter em conta o impacto nas pessoas, a importância da tarefa e a extensão do problema, evitando escolher apenas aquilo que é mais rápido de alterar. O investimento depende do estado do projecto, da complexidade dos percursos e do trabalho necessário para os avaliar e corrigir. O valor entregue está na remoção de obstáculos concretos e na melhoria da utilização, não apenas num relatório extenso ou numa pontuação apresentada por uma ferramenta.

O enquadramento legal também deve ser analisado de acordo com a entidade, o serviço e as condições aplicáveis. Existem requisitos de acessibilidade para determinados serviços digitais, mas não é correcto apresentar todas as empresas e todos os websites como sujeitos às mesmas obrigações. A avaliação desse âmbito é uma questão distinta da identificação das barreiras de utilização. Mesmo quando uma obrigação específica não se aplica, continua a fazer sentido perceber se o website permite aos seus visitantes consultar informação e interagir com a empresa.

A acessibilidade web também não termina na entrega de uma nova versão do website, porque os conteúdos e os componentes continuam a mudar. Uma imagem publicada sem alternativa adequada, um formulário acrescentado por um plugin ou uma janela introduzida por um serviço externo podem criar novas dificuldades. Definir critérios para a publicação e incluir verificações nas alterações mais relevantes ajuda a preservar o trabalho realizado. Integrar estas decisões desde o início de um projecto permite ainda evitar parte do retrabalho que surge quando as barreiras só são descobertas depois da publicação.

Mulher com auscultadores e bengala branca a utilizar um portátil durante um teste de acessibilidade acompanhado.

Um website deve permitir avançar, do interesse à acção.

A acessibilidade web aproxima a apresentação de uma empresa da possibilidade real de utilizar os seus serviços online. Um menu compreensível, um conteúdo bem estruturado e um formulário que explica os erros podem determinar se uma pessoa consegue continuar com autonomia. A qualidade está no percurso completo e na atenção às diferentes formas de o realizar. Criar um website para os seus clientes implica considerar também aqueles que o utilizam de uma maneira diferente da sua.

No Espéculo Estúdio, trabalhamos o design, os conteúdos e o funcionamento dos websites de acordo com as necessidades de cada projecto. Se pretende identificar barreiras e melhorar os percursos de consulta, contacto ou compra, fale connosco sobre o seu website.